sexta-feira, 19 de junho de 2020

Fake News em tempos de pandemia – uma contribuição

As fake News são mentiras, ou notícias falsas que estão presentes há muito tempo no mundo. Na verdade, desde que o mundo é mundo que as mentiras estão presentes. As notícias falsas têm uma verdade, se assim podemos dizer. A verdade é que elas existem para criar “verdades “ de acordo com interesses diversos, seja de pessoas ou de grupos. questão é que as notícias falsas não fariam sentido se não se considerasse a coletividade maior que conhecemos por sociedade, pois é dela que o criador de fake news precisa para fazer passar como verdade sua mensagem e, com isso, impor seus interesses criando um ambiente propício para o seu intento. A sociedade inclui o trânsito de indivíduos com capacidade de pensar, sentir e agir a ponto de interferir, ou influenciar, o outro. Fake News, portanto, carregam consigo um interesse ou ideia que de alguma forma possibilite no mínimo uma atmosfera favorável aqueles que criaram. As fake news criam um mundo conturbado e extremamente favorável aqueles que precisam delas para se beneficiarem e se locomoverem a partir de seus objetivos. Em tempos de pandemia as fakenews encontram um terreno fértil, tendo em vista que com o isolamento para evitar o avanço do coronavírus as pessoas em geral são expostas as várias notícias sobre coisas e pessoas. O isolamento necessário precisa de um alento às pessoas, as quais encontram, por exemplo, nas redes sociais algo para se apegar, mesmo que não se preocupem em verificar de fato se uma determinada noticia é verdadeira ou falsa. Podemos considerar que as fakenews demonstram influenciar na construção de um novo sentido ao mundo no qual vivemos. Explico: é que a vida nem sempre é fácil prá ninguém e, por isso, as fakes news parecem trazer um sentido para quem nelas acreditam. E assim, temos um mundo muito pior do que esperamos. É preciso entender alguns aspectos que favorecem o terreno para as fake news As fakes news existem por que? Qual o sentido ou o terreno que uma notícia falsa precisa? Como podemos identificar se uma noticia é verdadeira ou falsa? As fakes News só se tornam realidades porque são passadas adiante sem o crivo da razão ou sem a mínima preocupação com a verdade ou mesmo com as consequências que tal noticia passada adiante pode trazer para o outro e para você mesmo. Fake news e pandemia Covid-19 Desde que se tem notícia da Covid-19, que se alastrou pelo planeta, não faltaram fake news das mais diversas e curiosas possíveis. Por exemplo, uma das primeiras noticias falsas, propagadas principalmente, pelos bolsonaristas se refere a origem do vírus. Para os partidários de Bolsonaro a Covid-19 foi invenção chinesa e, portanto, coisa de comunista. Outra fake news que viralizou na internet foi a notícia de que em alguns cemitérios estavam enterrando caixões vazios ou com pedras e paus para dizerem que são vítimas do coronavírus. Essa falsa notícia foi inclusive postada por uma senhora de Minas Gerais e teve bastante curtidas e compartilhamentos. Depois, a mesma senhora teve que se explicar na polícia porque compartilhou essa fake. A difusão de fake News tem feito muitos estragos; esse caso mesmo dos caixões vazios ou com pedras fez com que algumas pessoas abrissem caixões nos cemitérios para saber se de fato havia o corpo do membro da família morto por covid-19. O próprio Presidente Bolsonaro tem sido um dos principais difusores de fakes news. Há fakes capciosas e ardilosas que misturam um fundo de verdade para impor uma interpretação; é o caso de um vídeo do Dr. Dráuzio Varella divulgado em 2019, no inicio da pandemia da covid-19. Neste vídeo o médico chegou a afirmar que a covid não era tão perigosa, inclusive chegou a se referir a uma gripezinha. O vídeo da época é um fato, mas o foi usada em outro contexto, o do avanço do coronavirus, de modo que o médico chegou a pedir desculpa pelo vídeo e orientou que o ignorasse. Mas, o presidente para impor uma interpretação contra o isolamento chegou a usar e até mesmo a falar dele numa transmissão oficial. Quando Bolsonaro faz tal divulgação do vídeo do médico Drauzio Varella ele já o transformou em notícia falsa (fake news), uma vez que o próprio médico chegou a pedir que ignorasse. É preciso ter alguns cuidados principalmente quando se vai compartilhar alguma notícia que você recebeu em seu celular, seja no whatsapp, facebook ou qualquer outra rede social. Cheque as informações, compare, busque outras fontes confiáveis. Se decidir compartilhar uma notícia ou opinião se pergunte sobre a importância da notícia e quais as possíveis consequências para os outros, à sociedade e até para você mesmo.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Hoje, 18 de junho de 2020 o assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz foi preso. Ele estava num sítio do advogado da família Bolsonaro. A pergunta que sempre se fazia: cadê o Queiroz, finalmente foi respondida. Mas o que falta mesmo é saber até quando a família Bolsonaro vai continuar enrolando. Até quando as elites que permitiram a presidência da República a Bolsonaro e sua família. sim, porque a presidência é ocupada por um clã: os Bolsonaro. Fabrício Queiroz é suspeito de ser o braço direito de Flávio Bolsonaro no esquema da rachadinha na Assembléia legislativa do Rio de Janeiro. Queioroz movimentou uma grande quantia de dinheiro, incompatível com sua renda. Ate mesmo a primeira dama Michele Bolsoanro recebeu um depósito de Queiroz em torno de 40 mil. De acordo com um relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), foram identificadas operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Alerj. As investigações apontaram que o dinheiro usado para pagar funcionários na Alerj voltavam para os próprios deputados estaduais. O Coaf identificou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz, que ocorre entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.assessor de flavio Bolsonaro tem muito o que contar; resta saber se contará de fato e, também, o que acontecerá com Bolsonaro e seu governo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Jornalistas com deficit de letramento

EXTRAÍDO DO BLOG DO WEDEN . Para acessar o blog clique AQUI . disponível em: http://www.advivo.com.br/blog/weden/jornalistas-com-deficit-de-letramento .

Diz o dito popular que médicos enterram seus erros. E os jornalistas os repercutem.

A falta de atenção e capacidade de compreensão do que diz o livro didático Por uma Vida Melhor, da editora Global, é indicativo de deficit de letramento entre jornalistas. Junte-se a problemas de leitura, interesses mercadológicos, ignorância científica, leviandade intelectual e oportunismo político.

São inúmeros os sintomas do deficit de letramento. Entre eles, dificuldade de relacionar textos (problemas com a intertextualidade), desatenção ao cotexto em que aparecem as sentenças e incapacidade de associar o texto ao contexto de enunciação - para não falar nas posições discursivas, mas isso é outra história.

O problema não é só encontrado no ensino básico. É comum que o deficit de letramento seja detectado também em outros níveis de escolaridade, mesmo entre aqueles que, em suas profissões, fazem largo uso da leitura e da escrita.

Linguistas já chamaram a atenção para o fato de que se estes jornalistas fossem submetidos ao PISA seriam reprovados.

Aqui a lista de jornalistas e intelectuais que precisam aprimorar sua leitura.

No caso deles, talvez não seja difícil.

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Clóvis Rossi (Folha de SP): atribuiu aos autores do livro "crimes linguisticos" e "argumentos delinquenciais". Fundamentou seus ataques a uma pequena passagem do livro. O capítulo não era tão grande para ele se abster da leitura. Uma das marcas do deficit de letramento é a incapacidade de fazer correlações cotextuais. Interpretou "demonstração linguistica" com "pregação linguística", o que não cabe a este ramo do saber.

Flávia Salme (IG): levou a escolas sua leitura equivocada do livro. Induziu alunos a se pronunciarem contra. No seu texto, confunde modalidade e registro com normas.

William Waack (Rede Globo): iniciou o programa Painel, da GloboNews, perguntando se é "certo ensinar errado". Tímido com a explicação de Maria Alice Setubal, professora convidada, pergunta :"Embarcamos numa furada?". Ela responde: "sim". Nem Roberto Romano o apoiou.

Mônica Waldvogel (Globo): a reportagem de abertura do programa Entre Aspas, por meio de um recorte descontextualizado do livro, induz os entrevistados a condenarem a obra, os autores e o MEC. Cala-se diante das intervenções de Cristóvão Tezza e Marcelino Freitas.

Jornalista do jornal O Globo (vários): as reportagens sobre o livro didático foram assinadas por vários jornalistas. Todos insistiram na tese - não confirmada - de que o livro contém "erros grosseiros de português".

Augusto Nunes (Veja): perseguiu a professora Heloísa Ramos, durante dias. A professora é consultora da revista Nova Escola, da própria Abril, a que serve o jornalista.

Reinaldo Azevedo (Veja): a partir de trechos soltos, confundiu demonstração linguistica com pregação política. Partidarizou o que é consenso no campo da linguistica internacional.

Merval Pereira (Globo): fez afirmações fora do escopo da obra: "o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros”. Não há passagem clara neste sentido no livro.

Carlos Alberto Sardenberg (Globo): chegou a afirmar que o livro defende o modo de falar do ex-presidente Lula. Não leu o livro.



A mea-culpa da Folha de São Paulo, no editorial "Os livro", não foi acompanhada do necessário pedido de desculpas aos autores da obra. A seu favor, deve-se frisar que o jornal publicou dois artigos que mostram que nem todos deixaram de se ater à obra para comentá-la. Ressalte-se aqui a honestidade intelectual de Hélio Schwartsman e de Thais Nicoleti de Camargo.



Quem mais criticou sem ler?

Marcos Vilaça (Presidente da Academia Brasileira de Letras). Caso gravíssimo. O presidente da instiuição responsável pela memória das letras no país sequer teve o cuidado de consultar a obra. Acreditou no que foi levado pelos jornalistas. Desacreditou a instituição.

Ruy Castro (Escritor). Ele não leu o livro e se indignou com o que não havia sido escrito na obra. O escritor vive da leitura de livros. Mas ele mesmo não deu o exemplo.

Evanildo Bechara (Gramático). Cometeu o erro mais grave de sua carreira acadêmica. Criticou autores sem ter lido o livro. Um gramático não pode desconhecer a necessidade de ler para emitir juízos.

Edgar Flexa Ribeiro (Educador). Ele também não leu o livro e emitiu opinião a partir de trechos descontextualizados. Envolvido com educação, deu um passo em falso e será cobrado por isso.

Cristóvão Buarque (Senador). Sem ler o livro, diz que a obra pode prejudicar alunos. Este é um caso bastante sintomático. Como sua bandeira é a Educação, poderia ter sido mais cuidadoso ou pelo menos ter lido o capítulo em que aparecem as citações da imprensa. Sem fundamentação na realidade do que estava escrito no livro, declarou: "Existe um risco de se criar duas formas de falar o português" (existem várias formas de falar português, até porque toda língua é constituída por dialetos, como fica claro nas diferenças entre o Português Europeu e o Português Brasileiro); "os estudantes da rede pública, ao adotar erros de concordância verbal como regra, não terão a menor chance de passar em um concurso" (o livro em nenhum momento diz isso); "Tem que se ter em mente uma questão fundamental: sotaque e regionalismos são uma coisa, a língua portuguesa é outra" (esta diferença é absurda do ponto de vista das ciências linguísticas").

Todos os personagens acima devem desculpas à professora Heloísa Ramos e à ONG Ação Educativa. Eles se deixaram levar pela cobertura da imprensa. Pode-se desculpá-los por isso, mas é bom que reflitam.

Considero que estamos diante de um novo caso Escola Base, e todos que não se retratarem terão ajudado a constituir um novo crime de imprensa.

A professora Heloísa Cerri Ramos foi atacada pelos blogs da Veja, que tentaram ridicularizá-la. Já a Ação Educativa, com 15 anos de existência, e inúmeros projetos de pesquisa no campo da educação*, além de ações como pontos de leitura, também foi caluniada sem direito á resposta.

Todos estes jornalistas e intelectuais citados apresentaram problemas graves de letramento. Recomenda-se que repensem o que disseram e tenham a humildade de consultar o capítulo, antes de emitir novas opiniões.

Além disso, um pedido de desculpas não faz mal a ninguém.

A educação brasileira agradece.

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* A ONG é responsável, junto com o Instituto Paulo Montenegro, pelo Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, pesquisa de acompanhamento permanente.

Diante dos problemas com os jornalistas, as estatísticas devem ter piorado.

sábado, 28 de maio de 2011